O que ‘nós quer’ é moleza

Assistindo ao estranho Jornal do SBT com Cíntia Benini e Carlos Nascimento em uma dessas quase madrugadas em que os demais canais de TV aberta transmitem seriados toscos, pseudo-cultura 100% inútil ou histórias de crimes – o que não me atrai de forma alguma, visto que isso já é tão corriqueiro em nossas vidas – assisti a um ‘quadro’ que ao mesmo tempo em que um passo é dado, por menor que seja, em direção ` democratização midiática, revolta pela constatação conclusiva apresentada nesse artigo. O que trago a discussão nesse instante, entretanto, não é a democracia, mas a questão que motivou os apresentadores a buscarem as opiniões de 10 telespectadores ao vivo.
O que me assusta – tudo bem, não mais me assusta pois como publicitário devo buscar conhecer a identidade do povo – não é a “porcentagem” da pesquisa de 60% – 6 dos 10 entrevistados, tsc – apoiarem a lei e concordarem que “SIM, os motoristas devem ser alertados”. O buraco é mais em baixo.
Acompanhe meu raciocínio. É lei que @ brasileir@ civilizad@ não pode ultrapassar o limite de velocidade estabelecido nas estradas e rodovias brasileiras. Se não podemos ultrapassar o limite, devemos trafegar no máximo naquela velocidade. Se ultrapassarmos, temos consciência de que seremos multados, concorda?
Ok. Não vou fazer uma pesquisa. É quase um silogismo, mas funciona.
Se todos sabemos que o correto é não ultrapassar a velocidade máxima estabelecida e sabemos que deveremos ser multados caso o façamos, pra que alertar-nos que seremos vigiados a seguir? Um dos entrevistados trouxe uma comparação muito interessante:
Muito bom, não? Agora me diz se não é muita cara-de-pau uma mulher dizer em rede nacional um “eu sei que o correto é não avisar porque nós já sabemos, mas, como mexe no nosso bolso, eu acho que deve ser sinalizado sim!” Eu não acreditei que ouvi isso apesar de toda a obviedade natural do brasileiro.
Tenta-se justificar com a dificuldade financeira do povo ou com o argumento de que as empresas que regem a tal “indústria da multa” mergulham no mar da corrupção com direito até a bote salva-vidas, mas, desculpe-me, não dá. O brasileiro é folgado mesmo. O que é certo é quase consenso geral da nação, mas a malandragem fala mais alto. Os interesses gritam disputando um ouvido ‘real’ na bodega do Brasil. E aí me pergunto: É esse o exemplo que nós damos para nossos ‘políticos’?
Cabe muito bem, aqui, o trecho de uma música de Gabriel, o Pensador, a Retrato de um Playboy: “Somos todos merdas dentro da mesma privada”. Desculpa. Peguei pesado. Ou não?
Falando nisso…
OPovo: Radares escondidos estão proibidos a partir de hoje
Diário do Nordeste: Radar oculto proibido a partir de hoje
Folha de São Paulo: Denatran estabelece que radares sejam sinalizados a partir de hoje
Bom dia Sorocaba: Multa de radar escondido perde validade na segunda-feira
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maio 19th, 2007 em 2:13 pm
mermao, to é com vergonha do meu blog…kkkkkkkkkkkk
parabens cara, ta muito massa….queria ter mais tempo pra fazer alguma coisa mais legal… num sei nem colocar áudio no “blogspot”…tu sabe?
abraço
ah…adorei a parte da fotos, TBM né.
maio 20th, 2007 em 6:48 pm
concordo plenamente com seus comentários!!! é por isso q o Brasil não vai p/ frente!!!
É muita CARA DE PAU de quem concorda com isso! e mais cara de pau ainda dos q aprovam essa lei! sinceramente…cada dia me assusto mais com os comentaríos ridículos que certas pessoas fazem…assistindo ao jornal esses dias, vi um cidadão declarando que deveria ter a sinalização p/ os mooristas poderem reduzir a velocidade antes do radar e logo depois voltar a conduzir com a velocidade q estava antes do radar!!! É muita cara de pau!!! AHHHH EDUCAÇÃO BRASILEIRA!!! Como diria Boris Casoi : ISSO É UMA VERGONHA!!!
maio 21st, 2007 em 2:25 am
Como já havia dito pra ti em outra oportunidade, as pessoas aprendem a tirar uma habilitação, mas não a aprendem a se portar de forma respeitosa no trânsito.
Parece-me que a origem de tudo seria essa egoísmo imensurável no qual estamos mergulhados hoje. E quando isso se junta ` falta de educação do qual somos vítimas, o resultado é esse: cada um pensando numa nova estratégia de se safar do guardinha de trânsito.
maio 22nd, 2007 em 2:20 am
Não concordo com a mera idéia de radares no trânsito. Sim, existe um limite, mas no trânsito já hipercongestionado, é quase impossível alcançá-lo nos horários de pico, quando a maioria dos carros estão na rua.
Não sendo horários de pico, qual seria a diferença entre rodar a 60km/h ou 65? Até por que nem todos os brasileiros são loucos por velocidade e pisam fundo a qualquer oportunidade.
Não adianta puxar o argumento que diminuiria o número de rachas ilegais, pois os corredores achariam outros locais para competir ou maneiras de burlar as câmeras.
A idéia de ter máquinas me monitorando é que realmente não me agrada. Existe uma enorme diferença entre respeitar as regras por que se entende que estão certas, e segui-las apenas por que sabe que será pego.
Radares não são a solução. Ao invés disso, quando estiverem dirigindo, sigam as regras e dêem passagem aos pedestres (que estiverem nas faixas, o Brasil têm também alguns dos piores pedestres do mundo), não fechem cruzamentos e sejam educados.
maio 22nd, 2007 em 4:37 pm
É isso mesmo, Igor.
Assim falamos em nome de um bem comum, não apenas individual e egoísta. Essa realidade exposta por você é, com certeza, a ideal, a quase-utópica para o que percebemos hoje no Brasil. Quem sabe um dia chegamos lá, mas nesse post, falo sobre educação. A punição é necessária quando “o menino é ruim” e, cá pra nós, tem muito “menino ruim” nesse Brasil, não?
Abraço, cara.