
Ontem ganhei um par de convites para assistir à pré-estréia do filme “A Lenda de Beowulf“. Não sei se não houve uma boa publicidade do filme ou se estou trabalhando demais e não fiquei sabendo do fenômeno que o filme é. O fato é que não conhecia e fui � pré-estréia porque ganhei os convites. Para minha surpresa o filme é muito bom e já é um sucesso de bilheteria.
O filme é uma adaptação ao cinema do poema épico inglês homônimo (entre 700-1000 d.C.), roteirizado por Neil Gaiman (Sandman) e Roger Avary (Regras da atração) e conta a história de um povoado dinamarquês da Ilha de Sjaelland que está sendo assombrado pelo demônio Grendel (Crispin Glover) e o Rei King Hrothgar (Anthony Hopkins) oferece um dragão de ouro ao guerreiro que conseguir matá-lo. Beowulf (Ray Winstone) é um deles e o faz. No entando, a história não para por aí. A mãe (Angelina Jolie) do monstro se revolta e se vinga, mas não da forma mais brutal. Essa monstra, se é que podemos chamá-la assim, é praticamente uma sereia, que usa o encanto para atingir seus objetivos. O resto não vou contar para não estragar a surpresa de quem irá assistir e não conhece a lenda.
Na minha opinião a lenda não tem uma história muito elaborada, como a maioria das outras que conheço, visto que lendas são populares, mas traz elementos metafóricos bem legais, como também é de praxi. A estética do filme, no entanto, não deixa nada a desejar. É todo animado em 3D - o que me surpreendeu pois achava que seria filmado com atores reais - por computador no estilo de O expresso polar, com captura de movimento e características físicas do elenco e tem direção de Robert Zemeckis (De volta para o futuro, Náufrago, O Expresso Polar, Forest Gump).

No elenco estão somente Anthony Hopkins, John Malkovich, Robin Wright Penn, Alison Lohman, Brendan Gleeson, Dominic Keating, Ric Young e Chris Coppola.
SOBRE A LENDA
Beowulf (c. entre 700-1000 d.C.) é um poema épico tradicional, escrito em inglês antigo com o emprego de aliteração. Com 3.182 linhas - mais longo do que qualquer outro poema em inglês antigo -, representa aproximadamente 10% do conjunto da literatura anglo-saxã. O poema não contém um título no manuscrito, mas é conhecido como Beowulf desde o começo do século XIX. É o mais antigo poema escrito em língua moderna e dos mais célebres poemas épicos, um marco na lieratura medieval.
O poema narra as aventuras do herói homónimo, que viaja � corte do rei Hrothgar para o livrar da terrível predação do demónio Grendel, um verdadeiro símbolo do mal encarnado, que devora homens inteiros. Beowulf vence e mata Grendel em duelo, utilizando por arma apenas as suas mãos nuas. Seguidamente, a mãe de Grendel vem vingar a morte do filho com novas carnificinas. Beowulf segue o seu rasto até uma caverna submarina onde a combate e vence. O relato então é cortado por um longo hiato temporal e encontramos o mesmo Beowulf, já idoso e rei entronado do seu país, que volta � ação e intenta a façanha de livrar o seu reino de um dragão, que fora acordado por um servo que roubara uma taça do seu tesouro. Beowulf ataca o dragão na sua própria caverna, mas apenas consegue matá-lo a custo da sua própria vida. O poema termina com o funeral do rei e herói.
Este épico poema serviu como uma das fontes de inspiração para a obra de Tolkien, O Senhor dos Anéis.
BILHETERIA
Primeiro fim de semana nos Estados Unidos:
1. “Beowulf,” $28.1 million.
2. “Bee Movie,” $14.3 million.
3. “American Gangster,” $13.2 million.
4. “Fred Claus,” $12 million.
5. “Mr. Magorium’s Wonder Emporium,” $10 million.
6. “Dan in Real Life,” $4.5 million.
7. “No Country for Old Men,” $3 million.
8. “Lions for Lambs,” $3 million.
9. “Saw IV,” $2.3 million.
10. “Love in the Time of Cholera,” $1.9 million.
CRÍTICA
Para quem conhece o poema épico, um dos mitos fundadores da literatura inglesa, talvez estranhe o longa, que tem pouco em comum com a obra original. Com exceção, é claro, dos personagens, e algumas situações que remetem à famosa epopéia.
No intuito de amenizar certas deficiências no roteiro, ´Beowulf´ tenta se sobressair no quesito recursos visuais. No entanto, a performance capture, geralmente utilizada como técnica auxiliar, domina todo o processo de criação. O resultado é aquele aspecto fantástico, porém esquisito, um misto de desenho animado e daquelas estátuas de cera (digno de um belo exemplar do museu francês Madame Tussauds). Tá duvidando? Repare então em Angelina Jolie, a bruxa sedutora.
A resposta para esse efeito surreal está na própria técnica de captura de movimentos dos atores - nesta prática, eles atuam em frente a uma tela vazia, travestidos de macacões com sensores que transmitem para o computador suas expressões. Segundo filme de Zemeckis, ´Beowulf´ segue a mesma tecnologia de ´O Expresso Polar (2004)´, longa anterior do cineasta.
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